HomeLogística

Governo investe R$ 4,7 bi nos “corredores do agro”

Governo investe R$ 4,7 bi nos “corredores do agro”Infraestrutura influencia na formação de preços. Foto: Fábio Rodrigues- Pozzebom / Agência Brasil

Árvores cultivadas em ILPF crescem mais e podem gerar renda
Baixa demanda externa pressiona cotação da soja
Agro abocanha maior parte do financiamento climático

Por André Garcia

Os investimentos nos corredores do agro serão ampliados em 30%, conforme anunciado pelo governo federal nesta terça-feira, 6/2. A porcentagem corresponde a um salto de R$ 3,6 bilhões em 2023 para R$ 4,7 bilhões em recursos para a infraestrutura de rodovias e ferrovias usadas para exportação dos principais produtos do agronegócio brasileiro.

Entre as obras, estão previstas a retomada dos investimentos públicos na ferrovia Transnordestina, em Pernambuco, e das ferrovias FIOL 1 e 2 e a FICO, ligando Ilhéus, no litoral baiano, até Lucas do Rio Verde (MT).

“Vai criar esse corredor que estamos chamando de leste-oeste, que vai ligar Ilhéus (BA) até Água Boa (MT), mas depois de Água Boa, com a FICO 2, até Lucas do Rio Verde (MT)”, disse o ministro dos Transportes Renan Filho, ao acrescentar que a ideia é, no futuro, conectar a ferrovia transnordestina a ferrovia Norte-Sul.

Durante coletiva de imprensa realizada nesta manhã, o titular do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, defendeu que a infraestrutura é o fator mais importante para a formação dos preços dos produtos.

“A formação de preços está diretamente ligada ao custo de frete. Se nós não tivéssemos essas condições de rodovias, certamente a soja estaria abaixo do custo de produção”, destacou.

Arcos Norte e Sul

De acordo com a Agência Brasil, o pacote de investimentos anunciado prevê 60 obras consideradas estruturantes, sendo R$ 2,66 bilhões para a infraestrutura do Arco Norte e R$ 2,05 bilhões para o Arco Sul/Sudeste.

No Arco Norte, que envolve os estados do Norte, além de Mato Grosso, Bahia, Maranhão e Piauí, o ministério prevê duplicar a BR 135, no Maranhão, restaurar a BR 158, no Pará, recuperar a BR 242, na Bahia, além de construir as travessias de Itapoã do Oeste, Jaru e Ji-Paraná, em Rondônia, e a Ponte de Xambioá, em Tocantins.

Em relação à infraestrutura do Arco Sul/Sudeste, que engloba todo o Centro-Sul do Brasil, o governo prevê a conclusão da Ferrovia Norte Sul, a intensificação das obras da ferrovia FICO, além de duplicação da BR 163, do Paraná, das BRs 470 e 290, em Santa Catarina, e das BRs 116 e 386, no Rio Grande do Sul.

A meta é chegar a 90% da malha rodoviária do Arco Norte sendo considerada boa, com 80% das rodovias em boas condições em todo o país. Segundo o Ministério dos Transportes, foi possível aumentar de 52% para 80% o total das rodovias do Arco Norte consideradas em bom estado no período de dezembro de 2022 a dezembro de 2023.

Leilões

Além dos investimentos públicos diretos em infraestrutura, o governo prevê realizar 13 leilões para concessões de estradas e pontes, com expectativa de investimentos de R$ 122 bilhões de reais. Desse total, R$ 95 bilhões estariam relacionados aos chamados corredores do agronegócio.

Entre os leilões previstos, estão o da concessão da BR 262, de Minas Gerais, da BR 040, entre Minas Gerais e Goiás, e das BRs 070, 174, 364 entre Mato Grosso e Rondônia.

LEIA MAIS:

Investimento de R$ 2,7 bi em ações para escoamento da safra contempla rodovias em MT

Mato Grosso lidera ranking de estradas ilegais em terras públicas

Grupos do agro criam empresa de logística

Líder em logística suspende operação no Brasil

‘Ponte’ entre agricultor e mercado é solução para economia circular

61% dos produtores não têm estruturas para guardar grãos

El Niño: seca nos rios do Norte pode prejudicar preço de grãos