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Chuva irregular em outubro divide ritmo do plantio da soja em MT

Chuva irregular em outubro divide ritmo do plantio da soja em MTEl Niño tende a reduzir as precipitações no Centro-Norte. Foto: CNA

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Resumo:

  • O plantio da soja 2026/27 começou no Centro-Oeste sob influência do El Niño e com atenção voltada à irregularidade das chuvas.
  • Em Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa, a semeadura alcançou 0,8% da área, próximo dos 0,6% registrados há um ano.
  • Nas áreas de sequeiro mato-grossenses, a baixa umidade do solo ainda limita o avanço das máquinas, enquanto áreas irrigadas concentram os trabalhos.
  • Goiás e Mato Grosso do Sul também iniciaram o plantio, mas a previsão aponta chuvas irregulares nos três estados ao longo de outubro.
  • No Paraná, o cenário é oposto: o excesso de umidade pode dificultar o avanço da semeadura nos próximos dias.

O plantio da soja 2026/27 começou no Centro-Oeste sob influência do El Niño e com a irregularidade das chuvas ditando o ritmo das máquinas. Em Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa, a semeadura alcançou 0,8% da área, enquanto produtores de Goiás e Mato Grosso do Sul também já iniciaram os trabalhos.

As informações foram divulgadas nesta quarta-feira, 23/9, pelo Globo Rural, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), da consultoria Pátria Agronegócios e em análises da Rural Clima. A principal preocupação neste início de safra é o comportamento das chuvas, já que o El Niño tende a reduzir as precipitações no Centro-Norte do país e aumentar os volumes em áreas do Sul.

Em Mato Grosso, o avanço de 0,8% está próximo dos 0,6% registrados no mesmo período do ano passado. Segundo a Conab, a semeadura ocorre principalmente em áreas irrigadas por pivô central. Nas lavouras de sequeiro, as máquinas pouco avançam porque as chuvas registradas até agora ainda são insuficientes para recuperar o armazenamento de água no solo.

O início de setembro teve precipitações que favoreceram os primeiros trabalhos em algumas regiões mato-grossenses, mas as chuvas perderam força a partir da segunda quinzena do mês. De acordo com a meteorologista da Rural Clima Ludmila Camparotto, esse comportamento já era esperado diante da influência do El Niño.

Frente fria

Uma frente fria que avança a partir do Sul deve levar novas instabilidades para o sul e o oeste de Mato Grosso nos próximos dias. A previsão é de pancadas capazes de favorecer o avanço do plantio, mas com distribuição irregular.

A irregularidade deve continuar em outubro e também atingir Goiás e Mato Grosso do Sul. Segundo Camparotto, a virada de mês deve trazer aumento na frequência das chuvas, mas de forma desigual entre as regiões. Com isso, enquanto alguns produtores poderão acelerar a semeadura, outros ainda terão de esperar pela recuperação da umidade do solo.

Apesar do cenário, o atraso observado em algumas localidades ainda não preocupa o setor. O diretor da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira, destaca que a maior parte da janela de plantio se concentra em meados de outubro e considera cedo para apontar problemas provocados pelo clima.

“Até agora tivemos muitas chuvas espaçadas, mas ainda é cedo para falar em problemas por conta do clima”, afirmou.

No levantamento da Pátria Agronegócios, 0,73% da área brasileira destinada à soja já havia sido semeada, ante 0,64% no mesmo período da temporada passada. A consultoria estima que o cultivo da oleaginosa alcance 49,38 milhões de hectares no país nesta safra.

Sul enfrenta cenário oposto

Enquanto o Centro-Oeste acompanha a falta de regularidade das precipitações, o Paraná, segundo maior produtor nacional de soja, enfrenta um cenário de maior umidade. O estado foi o primeiro do país a iniciar a semeadura e chegou a 2% da área prevista, abaixo dos 3% registrados no mesmo período do ano passado, segundo a Conab.

Neste caso, o risco é o excesso de chuva dificultar a continuidade dos trabalhos. Segundo Ludmila Camparotto, o Paraná acumula bastante umidade e novos volumes podem limitar a entrada das máquinas nas lavouras nos próximos dias.

O contraste entre as regiões é característico do cenário associado ao El Niño nesta temporada: enquanto áreas do Centro-Oeste podem enfrentar períodos mais secos e chuvas mal distribuídas, o Sul tende a registrar precipitações mais frequentes.

Saiba mais

Plantio de sequeiro – O cultivo de sequeiro é aquele que depende das chuvas para fornecer água às lavouras, sem o uso regular de sistemas de irrigação. Por isso, o produtor precisa aguardar um nível adequado de umidade no solo antes da semeadura, reduzindo o risco de falhas na germinação e no estabelecimento inicial da cultura.

 

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