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El Niño: pasto intensificado exige atenção extre para a forragem

El Niño: pasto intensificado exige atenção extre para a forragemIdeal é combinar estratégias para manter forragem. Foto: Divulgação/Produzindo Certo

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Resumo:

  • Sistemas de pecuária mais intensivos, com maior taxa de lotação, correm mais risco numa seca prolongada e precisam de reserva de forragem e plano de contingência montados antes da estiagem, segundo a pesquisadora Patrícia Menezes Santos, da Embrapa Pecuária Sudeste.
  • O Painel El Niño, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Cemaden e de outros órgãos federais, prevê chuva abaixo da média no Centro-Oeste entre outubro e dezembro e inclui a região entre as de maior risco de fogo.
  • Para atravessar a seca, a pesquisadora recomenda antecipar a silagem e o confinamento, reduzir a carga vendendo animais pesados e comprando leves, e suplementar com concentrado.
  • Em Alta Floresta (MT), as fazendas Triângulo e São Matheus trocaram a pecuária extensiva pela intensificação depois da morte súbita da braquiária e hoje fazem transferência de embrião em rebanho PO, segundo a gestora Jéssica Iakestest Brito.
  • Silagem de capim feita às pressas tende a não funcionar: sem estrutura prévia na fazenda, a pesquisadora considera difícil adotar a prática de uma hora para outra.

Por André Garcia

Intensificar a pastagem, com adubação, reforma e manejo do pastejo, permite colocar mais animais por hectare sem abrir nova área. Mas, com o El Niño previsto para trazer chuva abaixo da média ao Centro-Oeste até dezembro, essa estratégia exige atenção extra à reserva de forragem e ao plano de contingência.

O alerta foi feito pela pesquisadora Patrícia Menezes Santos, da Embrapa Pecuária Sudeste, que lidera o programa de pesquisa em recuperação de pastagens degradadas da Embrapa. Durante webinar promovido na semana passada, pela Rede Metano na Pecuária, ela comparou a fazenda a uma casa que recebe convidados.

“Se você dá uma festa para 100 pessoas, então são 50 casais, e cada casal traz mais uma pessoa, provavelmente a comida que você planejou para a festa não vai dar certo. Vai faltar comida.”

Planejamento precisa de margem de folga

O boletim nº 4 do Painel El Niño, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e por outros órgãos federais, aponta chuva abaixo da média no Centro-Oeste entre outubro e dezembro. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) inclui a região entre as áreas de maior risco de fogo no trimestre.

Quem planejou com antecedência tem mais folga para lidar com essas projeções.

“Isso tudo depende de um planejamento que tem que ser feito com certa antecedência e com uma certa margem de flexibilidade. Como o clima varia de ano para ano, de repente você pega um ano com El Niño, que tem eventos um pouco mais extremos. Se você não planejou com uma certa flexibilidade, você fica numa situação ruim.”

Morte súbita forçou a intensificação

Em Alta Floresta (MT), a intensificação das fazendas Triângulo e São Matheus, de cria, recria e engorda, começou depois da morte súbita da braquiária. A gestora das propriedades, a zootecnista Jéssica Iakestest Brito, contou o caso no mesmo webinar.

“Eu falo que é um mal necessário, que foi a morte súbita da braquiária, que foi ver a fazenda inteira derretendo e não tendo para onde correr, a não ser abrir mão da antiga pecuária extensiva, intensificar, reformar pastagem, adubar e manter desse jeito”, relatou.

As fazendas entraram no projeto Pecuária Integrada de Baixo Carbono (PIBC), do Instituto Centro de Vida (ICV). A mudança começou numa área pequena, usada até hoje como unidade de referência, e vem sendo expandida aos poucos.

“A gente começou com uma vacada comercial simples. Hoje a gente já está com PO fazendo transferência de embrião.”

Segundo a gestora, por serem propriedades pequenas, as fazendas precisam verticalizar a produção. Na cria, a lotação subiu só com ajuste no manejo do pastejo. Nesse cenário, Patrícia recomenda escolher forrageiras adaptadas ao ambiente da fazenda. Em regiões sujeitas à morte súbita, o capim-marandu não deve ser plantado.

“Diversificar as plantas sempre é uma boa opção, porque você às vezes tem um evento qualquer que afeta uma planta, mas não afeta a outra”, pontuou.

Silagem de capim exige estrutura prévia

Para quem já está com o pasto lotado e vê a seca chegar, Patrícia lista alternativas que podem ser combinadas. Uma é antecipar a silagem e o confinamento para aliviar os pastos. Outra é reduzir a carga da fazenda, vendendo animais pesados e comprando leves. A terceira é suplementar com concentrado.

“Eu acho muito difícil uma pessoa fazer silagem de capim de uma hora para outra. Ou ela já tem a estrutura na fazenda para fazer silagem de capim, ou ela dificilmente vai conseguir comprar máquina, etc., para fazer silagem”, disse.

Saiba mais

O que é a morte súbita da braquiária? É a morte de pastagens de braquiária, sobretudo do capim-marandu (Brachiaria brizantha cv. Marandu), em reboleiras que se espalham pela área. O problema é associado ao encharcamento do solo em áreas mal drenadas e à ação de fungos de solo, e aparece com mais frequência no norte de Mato Grosso e na Amazônia. As plantas amarelam, secam e morrem, abrindo espaço para invasoras. A recomendação técnica é substituir o marandu por forrageiras mais tolerantes ao excesso de umidade e diversificar as espécies na fazenda.

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