Resumo:
- Mato Grosso do Sul respondeu por 90% do aumento líquido da área de florestas plantadas no Brasil entre 2021 e 2025, segundo a Expedição Silvicultura 2025, da Canopy Remote Sensing Solutions em parceria com a Embrapa Florestas.
- A área plantada no país chegou a 10,7 milhões de hectares em 2025, alta de 8,1% desde 2021, puxada pelo eucalipto.
- Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), a expansão no MS acompanha as novas fábricas de celulose, enquanto em Mato Grosso o eucalipto atende principalmente à demanda por energia.
- No questionário da expedição, 95% dos produtores independentes avaliaram positivamente a instalação de uma nova fábrica consumidora de madeira, ante 69% das empresas.
- Entre os participantes, 75% pretendem implantar novas áreas em dois anos, mas 85% esperam custos acima da inflação e só 41% preveem aumento da rentabilidade.
Por André Garcia
A demanda por madeira para abastecer novas fábricas de celulose impulsionou a expansão das florestas plantadas no Brasil, que alcançaram 10,7 milhões de hectares em 2025. O crescimento foi concentrado em Mato Grosso do Sul, responsável por 90% do aumento líquido registrado nos últimos quatro anos.
Os dados, divulgados na última semana, são da Expedição Silvicultura 2025, realizada pela Canopy Remote Sensing Solutions em parceria com a Embrapa Florestas, e apontam para uma mudança na distribuição dos plantios pelo país, com o avanço de Mato Grosso do Sul sobre os estados tradicionalmente produtores.
“A gente tem como Centro-Oeste a nova fronteira de expansão, principalmente ali pelo Vale da Celulose”, destacou Daniel Cintra, especialista em políticas florestais e sustentabilidade da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), durante evento de apresentação do relatório.
No país, a área de florestas plantadas cresceu 8,1% entre 2021 e 2025, puxada pelo eucalipto, que abastece a indústria de celulose, a siderurgia e a geração de energia. Com o avanço, Mato Grosso do Sul passou da quarta para a segunda posição no ranking nacional e encurtou a distância em relação a Minas Gerais, que segue na liderança.
Proximidade das indústrias favorece produtores
A expansão industrial também pode beneficiar produtores independentes. Em questionário da expedição, 95% deles avaliaram positivamente a instalação de uma nova fábrica consumidora de madeira, ante 69% das empresas. Para quem tem menos alternativas de venda, a proximidade ajuda a reduzir os custos de transporte.
“Eu posso ter dois produtores vizinhos, um na beira do asfalto e outro com estrada muito mal conservada. O preço de um vai ser bem maior do que o do outro, embora os dois atendam o mesmo mercado, porque as condições de colheita e transporte de um são muito mais caras”, explicou José Mauro Moreira, pesquisador de economia e planejamento florestal da Embrapa Florestas.
Siderurgia e carvão vegetal foram os principais destinos da madeira para 38% dos participantes que trabalham com eucalipto, seguidos por celulose e papel (24%) e bioenergia (16%). No Centro-Oeste, essa demanda varia: Mato Grosso do Sul concentra a expansão voltada à celulose, enquanto Mato Grosso utiliza o eucalipto principalmente para geração de energia.
“Em Mato Grosso, a floresta plantada é com fins energéticos e, assim como Goiás, vem se preparando para esse boom das florestas plantadas. Mato Grosso já tem essa demanda acentuada”, ressaltou Cintra.
Setor ainda teme custo
Entre os participantes, 75% pretendem implantar novas áreas nos próximos dois anos e 67% esperam preço da madeira acima da inflação. No mesmo grupo, 85% esperam que os custos de produção também subam acima da inflação, e só 41% projetam aumento da rentabilidade.
“Esperar mais demanda não significa necessariamente esperar margens maiores. A nossa leitura é que há disposição para crescer, mas esse investimento depende das condições econômicas”, afirmou Fabio Guimarães Gonçalves, coordenador técnico da expedição pela Canopy.
Expansão pode pressionar preços
Outro desafio está no tempo necessário para transformar os novos plantios em madeira disponível para venda. Como o ciclo de produção florestal leva anos, decisões tomadas em períodos de preços favoráveis podem resultar em excesso de oferta no futuro, caso a demanda não acompanhe o crescimento.
“Quando você tem um número muito grande de produtores plantando, mesmo que a produtividade seja baixa, você pode ter um excesso de oferta, porque muita gente plantou”, alertou Moreira.
Segundo o pesquisador, quando muitos produtores colocam madeira no mercado ao mesmo tempo, o aumento da oferta pode pressionar os preços e comprometer o retorno dos investimentos. O risco reforça a importância de planejar a expansão dos plantios considerando não apenas a demanda atual, mas também as condições de comercialização nos próximos anos.
Saiba mais
O que é a Expedição Silvicultura? É uma iniciativa de levantamento sobre as florestas plantadas no Brasil, coordenada pela Canopy Remote Sensing Solutions em parceria com a Embrapa Florestas e a Paulo Cardoso Comunicações. Entre setembro e novembro de 2025, a equipe percorreu 42 mil quilômetros em 14 estados, responsáveis por cerca de 98% da área plantada do país. A campanha combinou mapeamento por imagens de satélite, validação em campo com mais de 37 mil pontos de controle, inventário florestal em 446 parcelas com escaneamento a laser e um questionário respondido por produtores, empresas e técnicos do setor. A próxima edição está prevista para 2027, e a expedição deve se repetir a cada dois anos.
LEIA MAIS:
Embrapa traz recomendações para enfrentar o El Niño no Centro-Oeste
Produção florestal no País bate recorde em 2025
Cerrado já perdeu área maior que Goiás e cenário ameaça o agro
Plano Safra 2026/2027 traz os menores juros para boas práticas
Acordo em MT prevê fim do uso de madeira nativa na indústria

