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MT colhe bilhões no campo, mas fica para trás em qualidade de vida

MT colhe bilhões no campo, mas fica para trás em qualidade de vidaResultado ainda não se traduz melhoria social. Foto: CNA

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O estado que mais produz soja e gado no Brasil ficou na metade inferior do ranking de bem-estar social do país. Na 14ª posição do ranking nacional, Mato Grosso apresentou baixo desempenho em praticamente todos os critérios avaliados no relatório IPS Brasil, divulgado nesta quarta-feira (20).

Na pesquisa, que avaliou os 5.570 municípios brasileiros em 57 indicadores sociais e ambientais, o estado ficou com 61,38 pontos numa escala de 0 a 100, abaixo da média nacional de 63,40. Isso significa limitações no acesso à educação de qualidade, inclusão social, serviços básicos e oportunidades.

A economia avança puxada pelas lavouras, mas o resultado ainda não se traduz em qualidade de vida para boa parte da população no interior do estado. Exemplo disso é que algumas cidades figuram entre as piores colocações do país: Nova Nazaré (48,27), Campinápolis (48,40) e Vila Bela da Santíssima Trindade (48,49).

Além disso, nenhum município mato-grossense, exceto a capital, aparece entre os cem mais bem avaliados do País.

Com 67,22 pontos, Cuiabá ocupa o 10º lugar entre todas as capitais brasileiras e está no Grupo 1, o de melhores resultados. Mas a capital não carrega o estado. Fora dela, 140 municípios contam outra história.

O preço do desmatamento

No quesito Qualidade do Meio Ambiente, a maioria da população mato-grossense está exposta às piores condições do índice. Enquanto municípios do Sul e Sudeste registram pontuações entre 65 e 77 pontos, Mato Grosso concentra seus resultados entre 28 e 50, bem abaixo da média nacional de 61,34. Apenas três municípios do estado aparecem na faixa azul do mapa.

Crédito: IPS

Não por coincidência, Mato Grosso liderou os alertas de desmatamento na Amazônia entre janeiro e abril de 2026, com 255 km² de vegetação suprimida, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Neste cenário, o relatório do IPS aponta supressão de vegetação primária e secundária, focos de calor e emissões expressivas de Gases de Efeito Estufa como os principais fatores que derrubam a pontuação dos municípios da região. Os meses mais críticos ainda estão por vir: historicamente, o período seco entre maio e setembro concentra a maior parte da derrubada de vegetação e dos incêndios florestais no país.

 

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