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Pantanal tem a menor área queimada em 41 anos

Pantanal tem a menor área queimada em 41 anosIncêndio no Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense. Foto: ICMBio

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Resumo:

  • O Pantanal queimou 121 mil hectares em 2025, a menor área da série histórica e uma queda de 85,6% em relação à média do bioma, depois de anos marcados por secas e grandes incêndios
  • Mesmo com a trégua, segue sendo o bioma que mais queima proporcionalmente no país: mais de seis de cada dez hectares já arderam ao menos uma vez em 41 anos, e quase três quartos dessa área queimaram mais de uma vez
  • Corumbá (MS), no coração do bioma, é o município que mais queimou em todo o Brasil no período, com 3,79 milhões de hectares acumulados
  • A alternância entre cheias e secas extremas acumula material combustível e ajuda a explicar por que o fogo no Pantanal é mais intenso e severo que a média
  • No bioma, 68% da área queimada teve severidade moderada ou alta, com incêndios que se espalham em grandes manchas e são mais difíceis de conter

 

Por André Garcia

O Pantanal viveu em 2025 o ano com menor registro de fogo em mais de quatro décadas. Foram 121 mil hectares (ha) queimados, uma queda de 85,6% em relação à média do bioma, conforme a segunda edição do Relatório Anual do Fogo, divulgada pelo MapBiomas nesta terça-feira, 21/7.

A queda acontece depois de um período traumático. Em 2024, cerca de 2 milhões de ha foram consumidos em uma das piores secas já registradas na região. Esse histórico mantém o alerta sobre o bioma que, proporcionalmente, é o que mais queima no país.

Para se ter ideia, Corumbá (MS) lidera o ranking nacional dos municípios que mais queimaram ao longo das últimas quatro décadas, com 3,79 milhões de hectares de destruição acumulados. Na quarta colocação, aparece Cáceres (MT), com 1,5 milhão de ha.

Fogo mais intenso

O bioma vive de um ciclo em que grandes áreas inundam e depois secam, o que regula a vegetação e a fauna. Nos últimos anos, porém, esse ciclo se desequilibrou, o que ajuda a explicar por que o fogo na região ficou mais intenso. É o que aponta Ane Alencar, diretora de Ciências do IPAM e coordenadora do MapBiomas Fogo.

“Esses ciclos de estresse, entre muito seco e muito chuvoso, acabam criando uma condição de produção de material combustível maior. Então, você tem mais produção de biomassa. Aí, quando vem um período seco e o fogo acontece, você acaba tendo um fogo mais intenso.”

Ela destaca que, como em todo o país, a maior parte dos incêndios no bioma não começa por causas naturais.

“Grande parte do fogo no Brasil é iniciada pela ação humana, mesmo em ambientes onde há incêndios por causas naturais. Então a gente tem um fogo acontecendo fora da época. E esse fogo fora da época, com mais material combustível, vai ser mais severo”, diz.

O resultado é que 68% da área queimada no Pantanal teve severidade moderada ou alta. Ou seja, nesses locais, as chamas consumiram a vegetação por completo, atingindo raízes e sementes, tornando a recuperação mais lenta.

Rastro de destruição

Diferentemente de biomas onde predominam pequenas cicatrizes, no Pantanal o fogo se espalha em manchas extensas. Cerca de 28% das áreas queimadas têm entre 10 mil e 100 mil ha, um padrão de incêndios que avançam por grandes distâncias e são mais difíceis de conter.

Outro dado que preocupa é a repetição das queimadas: quase três quartos da área já atingida pegaram fogo mais de uma vez ao longo das quatro décadas analisadas. No total, mais de seis de cada dez hectares já arderam pelo menos uma vez em 41 anos.

Calendário de risco

Segundo a plataforma, agosto e setembro são, historicamente, os meses de maior risco. Agora, às vésperas desse período crítico, vale lembrar que a tragédia de 2024 coincidiu com o auge do El Niño, e que agora, em 2026, ele está de volta. O fenômeno deixa o clima mais quente e seco e a vegetação mais inflamável, condições perfeitas para o fogo.

“A gente tem que se preparar mesmo para este ano, porque a inflamabilidade da paisagem é um dos elementos importantes para que o fogo aconteça e se propague”, explicou Alencar.

Cenário nacional

A queda registrada no Pantanal em 2025 acompanhou um movimento nacional. No período, o Brasil teve a menor área queimada desde 2019: foram 12,7 milhões de hectares, 31% abaixo da média histórica.

A retração foi puxada sobretudo pela Amazônia, que ficou 56% abaixo da média e teve seu menor índice em 41 anos. O Cerrado, no extremo oposto, recuou apenas 9% e terminou o ano como o bioma mais afetado, com 69% de toda a área queimada.

Saiba mais

Material combustível: é toda a vegetação seca que pode servir de alimento para o fogo — capim, folhas, galhos e troncos caídos. No Pantanal, os anos muito chuvosos fazem a vegetação crescer em abundância; quando vem uma seca forte, toda essa biomassa resseca e se transforma em combustível. Quanto mais material acumulado, maior tende a ser a intensidade do incêndio.

 

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