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El Niño em 2026 pode ser um dos mais fortes já registrados

El Niño em 2026 pode ser um dos mais fortes já registradosEspecialistas alertam para intensidade do fenômeno. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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Resumo

  • O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas projeta El Niño possivelmente recorde, com anomalias acima de 2°C no segundo semestre.
  • OMM aponta 80% de chance de formação entre junho e agosto, subindo a 90% até novembro.
  • No Centro-Oeste, calor acima da média, baixa umidade e maior risco de queimadas.
  • ONU e OMM pedem preparação para secas, chuvas intensas e ondas de calor.

Por André Garcia

Secas históricas, tempestades intensas e calor extremo devem atingir o planeta no segundo semestre de 2026, sob o efeito daquele que pode se tornar o El Niño mais devastador da história moderna. O cenário de alerta vem das  projeções mais recentes do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF).

De acordo com o documento, divulgado na sexta-feira, 5/6, são esperadas anomalias superiores a 2°C persistindo e intensificando entre julho e, pelo menos, novembro, chegando a 3°C acima da média no final do ano. Projeções individuais chegam a indicar valores acima de 4°C entre outubro e novembro.

Anomalia  é qualquer desvio ou diferença em relação à média histórica esperada para uma determinada região e época do ano. No contexto do clima, ela indica o quanto as condições atuais estão “fora do normal”.

Quase todos os cenários simulados apontam para um El Niño na chamada categoria histórica, ou seja, acima de tudo o que já foi registrado de forma confiável. Se a previsão se confirmar, será o evento mais intenso desde o início das medições modernas, conforme destacado pelo meteorologista Jeff Berardelli em suas redes sociais.

“Por qualquer critério, se isso se concretizar, seria o El Niño mais forte de que temos registros, remontando a 175 anos”, pontuou. “Quase todos os membros estão na categoria ‘histórica’. Ou seja, se o Euro estiver certo, estamos rumo a um El Niño muito além de qualquer coisa que já vimos”, acrescentou.

OMM eleva probabilidade

Na semana passada, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) também atualizou suas projeções e já aponta 80% de chance de o fenômeno voltar a se formar entre junho e agosto.

Ainda há incerteza sobre o pico de intensidade e o momento exato em que isso vai acontecer. Contudo, o documento reforça que a probabilidade de que essas condições continuem pelo menos até novembro está próxima ou acima de 90%.

“O mundo deve tratá-lo como o alerta climático urgente que ele é. As condições de El Niño vão jogar combustível na fogueira de um mundo em aquecimento. Os impactos serão ainda mais fortes, vão atingir lugares ainda mais distantes e cruzarão fronteiras com velocidade devastadora”, diz o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Secas e chuvas devem se agravar

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, alerta que é preciso se preparar para um evento potencialmente forte, capaz de agravar secas e chuvas intensas e aumentar o risco de ondas de calor em terra e no oceano. O último El Niño, de 2023-24, foi um dos cinco mais fortes já registrados e teve papel nas temperaturas globais recordes observadas em 2024.

A OMM, que não usa o termo “super El Niño”, por não fazer parte das classificações operacionais padronizadas, também chama a atenção para o fato de que um oceano e uma atmosfera mais quentes podem amplificar os impactos.

“A única resposta eficaz é uma ação climática à altura da crise, pôr fim ao vício em combustíveis fósseis, acelerar a transição para as energias renováveis, proteger os mais vulneráveis e oferecer sistemas de alerta precoce para todos”, acrescenta António Guterres.

Efeitos variam por região

No Brasil, os efeitos do El Niño não são iguais em todo o território. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o fenômeno deve influenciar principalmente o fim do inverno e a primavera de 2026.

Para o Centro-Oeste, a tendência é de temperaturas acima da média e ondas de calor mais frequentes, geralmente acompanhadas de baixa umidade do ar. Esse cenário aumenta o risco de queimadas e pressiona o abastecimento de água.

Para o Sul, são esperadas chuvas acima da média, com anomalias mensais superiores a 50 mm.

Para o trimestre de junho, julho e agosto, as previsões indicam ainda predomínio de temperaturas acima do normal em quase todo o planeta. Isso eleva o risco de estresse térmico e acelera o avanço de condições de seca onde a chuva diminui.

SAIBA MAIS

O que é o El Niño

O El Niño é uma das fases do El Niño-Oscilação Sul (ENSO), um dos padrões climáticos naturais mais poderosos da Terra. Ele é caracterizado pelo aquecimento das águas da superfície do oceano no Pacífico Equatorial central e oriental. O fenômeno costuma ocorrer a cada dois a sete anos e dura de nove a doze meses, geralmente começando a se desenvolver entre março e junho e atingindo o pico de intensidade entre novembro e fevereiro. Seus efeitos variam conforme a intensidade, a duração e a época do ano.

 

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