HomeEcologiaEconomia

Manejo do solo e ZARC ajudam produtor a driblar danos causados pelo clima

Manejo do solo e ZARC ajudam produtor a driblar danos causados pelo climaLavoura de soja sobre palhada de consórcio forrageiro. Foto: Embrapa

Venda de orgânicos cresce 30% e evidencia mercado a ser explorado
Banco Raiz investe cerca de meio milhão na agricultura familiar da amazônia mato-grossense
Brasil usa mais agrotóxicos que EUA e China juntos; gasto prejudica agro

Por André Garcia

Altas temperaturas e escassez de chuva complicaram a vida do produtor no Centro-Oeste na safra 2023/24. Os prejuízos causados por condições como estas, que tendem a se tornar mais frequentes, podem ser atenuados pelo manejo de excelência do solo e pelo uso de informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

Em Mato Grosso, principal produtor do País, a precipitação acumulada ficou abaixo das médias esperadas para o período em praticamente todo o estado. A irregularidade das chuvas aliada a um período marcado por recordes históricos de calor causou danos às lavouras de soja e levou várias regiões ao replantio.

“Essas altas temperaturas trazem uma situação bastante desafiadora para o sistema produtivo, pois as culturas precisam de mais água no solo para atender a demanda evapotranspirativa”, diz o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Cornélio Zolin.

Como já mostrado pelo Gigante 163, a manutenção adequada do terreno resulta na conservação de espécies animais, incluindo fungos e bactérias necessários ao desenvolvimento das plantas. Além disso, aumenta a captura de carbono no solo e, de quebra, reduz gastos com adubação.

“O produtor precisa buscar cada vez mais melhorar a cobertura desse solo, revolver o mínimo possível, fazer rotação, fazer integração, usar diferentes tipos de culturas e consórcios, para melhorar o perfil do solo e diminuir a compactação”, acrescenta.

Estratégias

Unânime entre os especialistas, a Integração Lavoura, Pasto, Floresta (ILPF), é uma das estratégias que contempla todas essas demandas, contribuindo para melhorar a ciclagem de nutrientes em áreas de produção de grãos. Isso porque a inserção das árvores intensifica a ciclagem de nutrientes e eleva a atividade biológica no solo.

Frente aos efeitos das mudanças climáticas, contudo, outros métodos também devem se popularizar, como a recuperação de pastagens degradadas, sistemas integrados, sistemas agroflorestais e recuperação da vegetação nativa. Seja qual for a escolha do produtor, Cornélio reforça que o trabalho de manejo de excelência deve ser constante.

“Tem que possibilitar que a planta desenvolva ao máximo o seu sistema radicular para que ela possa explorar regiões mais profundas e assim ser mais resiliente frente a condições climáticas adversas”, orienta o pesquisador.

Vale destacar que a Embrapa Agrossilvipastoril trabalha com consórcios forrageiros que também atendem a essas demandas, seja em sistemas de plantio direto ou em sistemas de integração lavoura-pecuária. Há opções de consórcios que visam a descompactação, a ciclagem de nutrientes, o aumento de matéria orgânica e a mitigação de nematóides.

Janela ideal

Outra ferramenta importante para reduzir riscos de perdas causadas pelas adversidades do clima é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). A plataforma orienta a janela ideal de semeadura de cada cultura em cada município brasileiro conforme o ciclo produtivo e o tipo de solo.

“Junto a isso, melhorias em relação aos níveis de manejo também serão incorporados no zoneamento. E tudo isso forma um conjunto de ferramentas que orienta o processo produtivo de modo que o produtor possa reduzir ao máximo os riscos que são provenientes dessas condições adversas”, pontua Zolin.

O ZARC define as janelas de semeadura conforme os níveis de risco, com 20, 30 e 40% de chances de perda. Ele também orienta instituições financeiras em relação ao financiamento de safra e ao seguro agrícola e pode ser conferido no aplicativo Plantio Certo, disponível para download gratuito em sistemas Android ou iOS.

LEIA MAIS:

Embrapa quer inserir manejo do solo em avaliação de risco climático

Importância das agroflorestas no combate às mudanças climáticas

Adotar boas práticas é vital para encarar crise climática, diz pesquisador

Agroecologia traz aumento de 40% em vendas de pequenos produtores do norte de MT

Lucrativo, ILPF exige planejamento; veja como migrar

Produtores pedem ajuda ao governo para enfrentar crise na soja

El Niño deve mudar dinâmicas do agro de forma permanente

Recuperação de pastagens brasileiras está na mira do mercado internacional

Parceria desenvolve Zarc para produção forrageira para pecuária

Saúde do solo é o foco da agricultura regenerativa

Produtores de MT preocupados em perder a janela de plantio da safrinha